
Dia 1
Mantive-me renitente em voltar a Marrocos, por todas as razoes que só eu sei, pensar que iria me lembrar de tudo e pensar no que não devia. Tudo aquilo que se perde por falta de equilíbrio emocional. Partimos atrasados para podermos apanhar o ultimo ferry, a viagem foi bem boa com uma auto caravana que mais parecia um avião com tantas comodidades, cruise control que alivia o peso do cansaço da condução.Chegamos a horas e fizemos uma media de 14 litros de diesel aos 100,que foi algo de loucos.
A passagem pelo estreito foi "mexida" com uma ondulação forte e com gajos a vomitar em todos os cantos. Nunca imaginamos que o pior estava para vir ao bom estilo Marroquino com uma espera de 3 longas horas para passar a fronteira. Ainda as rodas da frente mal tinham passado para terreno Marroquino, já tinha um “Jorge” (nome “carinhosos” que arranjamos para estes melgas dos Marroquinos) a chatear-me com uma identificação duvidosa do Rei e a pedir-me os passaportes para tratar dos papeis a troco de uns meros dirams. Por vezes penso, que raio é que estes gajos tem na cabeça para poder pensar que lhes vou dar o único meio de identificação que tenho para as mãos?! Um alminha com ar de que está cheio de fome, que nunca vi na vida e ainda por cima para lhe pagar mais tarde, e se a coisa rodasse... mas não, a seca é a mesma com ou sem papeis preenchidos.
Esta gente não tem o conceito de equilíbrio e respeito pelo próprio povo, (se calhar em Portugal também e parecido mas de forma um pouco diferente). Os tipos da alfândega obrigam os pobres desgraçados a "desembrolhar" os carros por completo, carros carregados de“lixo”, dos restos que os Europeus deitam fora e que eles aproveitam. O “lixo” para eles é muito, bicicletas, brinquedos partidos, papelões, tv's, panelas etc. Carros carregados até a cima, com mais do dobro da altura permitida com merda por todo o lado,e tudo se resolve com uns miseráveis dirahms. Nós achamos que não deveriamos de lhes dar nada e assim foi, nem um diram saiu da nossa carteira. Esperamos as nossas 3 horinhas e como estávamos na autocaravana, tudo era mais fácil com o jantar na cozinha a ser preparado, musica e tv na "sala". Na hora de sermos "atendidos" PELOS PROFISSIONAIS EXEMPLARES NA CORRECÇÃO da boa conduta, percebemos que os gajos queriam era euros mas nós, nada. Um senhor agente, bem fardado e barba feita, com uma cara de importante (só porque tem uma profissão melhor que os outros) perguntou-me com desdém se eu queria passar a noite ali mesmo, na fronteira, percebi que queria ser subornado para eu passar. Eu apenas lhe respondi com cara de parvo: “- Srº Agente, se acha que tenho de aqui ficar… mas não sei se reparou, eu troço comigo a “casa” e se achar que tenho de aqui ficar…”. Lá nos mandou novamente visitar o escritório da Policia mas agora no primeiro andar da “doane”.Subimos e descemos escadas, fomos a policia para carimbar o que ja estava carimbado, falamos com este e mais aquele e mais o outro, até que o policia que lá estava ( um puto novo a civil e bastante simpático) perguntou o que queríamos:” – Olhe eu não sei pois tenho os papeis todos em ordem e carimbados mas o seu colega é que…” e encolhi os ombros. O Daniel olhava para tudo aquilo e dizia-me: “- Os gajos querem é guito!” Mas eu mantive-me na minha e disse-lhe logo: “-Este ano não pode haver “mamagem”!”Lá o policia foi connosco e com um par de olhares para o Srº Policia mandou-nos seguir, nao havia nada a fazer.Eram 0.21 a.m. e pedi a alguém para levar a autocaravana, eu estava “routo”de fazer 100metros em 3 horas. Antes de partirmos fomos levantar algum dinheiro sobe o olhar de uma “cambada” de manfos, todos fodidos e com os bolsos cheios de notas para cambiar connosco, mas nós arriscamos o mais seguro de uma ATM a troco de €4 de custas bancárias. Dormi na cama da autocaravana enquanto o Baganha e o Tó conduziam (o Daniel ja dormia também) fui aos saltos e pulos mas a verdade seja dita, dormia 3 horas e quando me apercebi ja estávamos em Bouznika, perto de CasaBlanca.


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